terça-feira, 30 de novembro de 2010

As conquistas da reabilitação

Foi depois do ano de 2005 que a vida de Aldemicio Rodrigues começou a mudar. O trabalhador foi diagnosticado com síndrome de Guillain Barré, a doença tem caráter autoimune, entre outras consequências, atinge os músculos causando a perca de sensibilidade e de resposta aos comandos cerebrais. “Fiquei com muita fraqueza muscular, não tinha força nem pra fechar os olhos, me diziam que eu dormia de olho aberto”, relatou Aldemicio.

Os efeitos da síndrome foram rápidos, e em menos de um mês, o quadro clínico de Aldemicio passou de um indivíduo aparentemente saudável para uma pessoa com grande dificuldade de locomoção e bastante frágil. “Passei dois anos e seis meses de cadeira de rodas e três anos de muletas”, explicando sua história, o ex-sucateiro conta que foi difícil a reabilitação, mas a força para continuar lutando por dias melhores, nunca deixou de existir. O tratamento no Centro Integrado de Reabitação (CEIR) começou ano passado e foi decisivo. “Melhorei muito depois que iniciei o tratamento. Apesar das conquistas serem demoradas e simples, já me sinto bem melhor”, conta. 

Casado e pai de uma menina de 16 anos, Aldemicio após receber alta das sessões de hidroterapia encontrou no esporte uma nova paixão.“Desde pequeno gostava de água, só que nunca me dediquei a nadar”, relembra. O educador físico Childerico Robson, explica que Aldemicio tem grande potencial e que as sessões de natação estão servindo para melhorar o condicionamento físico do atleta, que futuramente poderá competir em campeonatos abertos.

Dedicado e esforçado, o atleta confessa que a natação ajuda não só a criar força física, mas a manter a mente limpa de preocupações que antes eram constantes e diárias. São mudanças que ocorrem aos poucos, mas que para Aldemício fazem grande diferença. “A doença já mexeu muito com meu lado emocional, mas agora eu quero fazer o que eu gosto”, finaliza.

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Com perna amputada, Joel Ferreira virou exemplo ao disputar o Campeonato Piauiense Máster

Três medalhas, duas de prata e uma de ouro. Esse foi o saldo de Joel Ferreira da Silva, 32 anos, no Campeonato Piauiense Master de Natação - Troféu Professor João Nunes, realizado no último sábado (28), no clube da Associação Atlética Banco do Brasil (AABB). A participação no campeonato marcou a estréia de Joel.


Amputado da perna esquerda, o jovem faz reabilitação desportiva no Centro Integrado de Reabilitação (Ceir) e há meses treinava para uma competição oficial."Eu estava muito ansioso. Preparei-me bem e tinha a confiança necessária para competir, mas o frio na barriga foi inevitável antes de entrar na piscina", descreve Joel, que, ao relatar o feito, sorri, revelando a alegria e o orgulho de ter obtido um resultado tão satisfatório já no primeiro campeonato. As medalhas foram conseguidas nas provas de 50 metros livre (prata), 50 metros borboleta (ouro) e revezamento 4x25 (prata).

       O Campeonato é dividido em categorias, de acordo com a faixa etária dos atletas. Joel competiu na “B”, referente aos nadadores de 30 a 34 anos, com atletas sem deficiência física. Joel provou para si e os demais que a perna amputada não limita talento ou força de vontade.

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Futebol de amputados: um esporte sem barreiras

Entre vários gols e outras tantas tentativas frustradas, o tempo para os praticantes do futebol de amputados, realizado na quadra do Centro Integrado de Reabilitação (CEIR), todas as terças-feiras, passa correndo, literalmente correndo. O grupo estava desfalcado na manhã do dia nove, ao total são nove pacientes que freqüentam o esporte, mas os cinco jogadores que ocuparam a quadra mostram que o treino é tão intenso como qualquer jogo.

O educador físico Childerico Robson explica que as sessões de futsal são realizadas entre 10h20min às 11h40min nas terças, envolvendo treino físico, treino tático, assim como a cobrança de pênaltis, cobrança de escanteio e simulação de jogo.

Há três meses o projeto está em andamento e a idéia, além de favorecer a reabilitação física do paciente, visa mostrar para os próprios jogadores que mesmo com necessidades especiais, praticar qualquer tipo de esporte é sempre viável. “Eles tem que sentir que não é porque muitos possuem só um membro que não podem praticar atividades como essas que dão prazer e recompensas físicas”, estimula Childerico.

Todo o ano acontece o campeonato nacional de futebol para pessoas amputadas. A meta vislumbrada pelo educador Childerico e pelos jogadores é reunir um quorum suficiente de atletas que pratiquem o esporte. “Atualmente temos nove pessoas que freqüentam os treinos, mas eu quero até ano que vem conseguir doze jogadores para podermos disputar a competição nacional”, esclarece.

A concentração individual, capacidade cardiorespiratória, raciocínio, reflexo, agilidade e a integração grupal, são estimuladas durante a prática do futebol de amputados, que tem como planos aumentar cada vez mais o número de praticantes, disputar campeonatos e estimular a criação de outros times e grupos em todo Piauí.


Paixão em quadra

Habilidade. Essa é uma das palavras que pode definir Ismael Sousa de 26 anos que treina religiosamente todas as terças-feiras na quadra do Ceir. “Eu também faço natação aqui, mas jogando futebol o tempo passa mais rápido, quando eu to na piscina, toda hora fico olhando para o relógio e aqui isso nunca aconteceu”, declara o palmeirense apaixonado.

No dia 21 de abril do ano de 2008 Ismael sofreu um acidente de moto que acarretou a amputação da perna esquerda. Apesar da fatalidade, Ismael tentou não se abater muito e procurou logo tentar se reabilitar. E se reencontrou no futebol. “Eu nunca faltei nenhuma aula”, diz, confirmando a paixão pelo esporte.

A paixão pelo futebol também marca presença na vida de outro jogador do grupo de amputados. Emanuel Soares de 37 anos se desloca de Castelo do Piauí todas as terças para comparecer aos treinos no CEIR.

Como na vida o inesperado é tão presente quanto a ironia, a amputação da perna direita de Emanuel foi decorrente de um rompimento no ligamento do joelho durante uma partida de futebol em 2001. A perda do membro inferior só aconteceu no ano de 2009, depois da realização de três cirurgias que não obtiveram sucesso.

Mesmo assim o prazer pelo esporte sempre falou mais alto. E desde que descobriu o grupo de amputados, Emanuel não pensa nem duas vezes ao enfrentar a viagem exclusivamente para os treinos.

“Me surpreendi porque achei que não tinha mais como eu jogar de novo, e futebol é minha paixão”, declarou Emanuel que afirmou que a esposa e as filhas também ficaram assustadas quando ele disparou a notícia que estava jogando novamente. O simpático atleta comenta que vai esperar os campeonatos e pretende continuar levando a paixão em frente.

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Atleta do CEIR conquista duas medalhas de ouro no Circuito Loterias Caixa Brasil Paraolímpico de Natação 2010


A atleta do Centro Integrado de Reabilitação (CEIR), Andressa Luiza, conquistou, neste final de semana, duas medalhas de ouro no Circuito Loterias Caixa Brasil Paraolímpico de Natação 2010. A competição aconteceu em Belém (PA), onde a jovem piauiense subiu no lugar mais alto do pódio nas provas de 50 metros costa e 50 metros livre.
Andressa Luiza tem 19 anos e faz reabilitação desportiva no Centro Integrado de Reabilitação. A nadadora embarcou rumo à capital paraense na última sexta-feira (12) e conquistou sua primeira medalha de ouro no Circuito Loterias Caixas Brasil Paraolímpico de Natação na tarde de sábado (13), quando alcançou a marca de 02:55:91 na prova de 50 metros estilo livre.
A segunda medalha de ouro de Andressa Luiza foi conquistada na manhã do domingo (14), depois de marcar o tempo de 03:30:06 na prova dos 50 metros estilo costa.
A etapa Norte/Nordeste do Circuito Loterias Caixa Brasil Paraolímpico de Natação 2010 aconteceu no Parque Aquático da Universidade Estadual do Pará (UEPA) e foi a primeira competição de Andressa Luiza fora do estado.

Na competição, a atleta do Centro Integrado de Reabilitação foi acompanhada por um dos educadores físicos responsáveis pela reabilitação desportiva da instituição, Childerico Robson, que havia estabelecido metas bem mais modestas para Andressa Luiza no Circuito Loterias Caixa Brasil Paraolímpico de Natação. “Como era a primeira competição da Andressa, nós queríamos apenas que ela completasse a prova”, observa.
Andressa Luiza tem paralisia cerebral e faz reabilitação desportiva no Centro Integrado de Reabilitação. A direção da instituição acredita que uma das formas de ajudar seus pacientes nos processos de reabilitação e reintegração nos ambientes social e familiar é o estímulo à prática de esportes, fazendo parte do time do CEIR atletas paraolímpicos da natação e do basquetebol, por exemplo.


Reabilitação Desportiva é matéria em revista portuguesa


RITMO IMPULSIONANDO MOVIMENTOS E SUPERANDO BARREIRAS 

 Assim como o universo, todo ser humano é dotado de ritmo. O ritmo é considerado o elemento musical mais associado ao movimento. Na atividade física, o ritmo facilita a cordenação motora e a integração funcional de todos os aspectos. Coordenação motora é a realização intencional de um movimento. O fisiologista Charçes fere (cronobiologia) concluiu que são os estímulos ritmicos, antes de quaisquer outros, que conseguem "aumentar o rendimento corporal". São numerosas as pesquisas mundiais que apontam e reafirmam estas possibilidades de utilização benéfica. A presença de estímulos ritmicos acrescenta estabilidade imediata no controle motor, mais do que através de um processo gradual de aprendizagem.

CEREBRO, RITMO E MOVIMENTO

O planejamento motor ocorre no lobo frontal, onde o córtex pré-frontal na superfície externa e a área motora suplementar analisam os sinais que chegam de outras partes do cérebro, indicando essa informação como uma posição no espaço e memória de ações passadas. Depois, essas duas áreas acessam o córtex motor primário que define quais músculos precisam se contrair, e envia as instruções pela medula espinhal até os músculos. Esses últimos desenvolvem os sinais para o cérebro. O cerebelo usa essa resposta muscular para auxiliar no equilíbrio e aprimorar os movimentos, sendo responsável pelo ajuste rítmico e reações emocionais a musica. Os gânglios de base reúnem informações sensoriais das regiões corticais e as transmite por meio do tálamo até áreas motoras do córtex (responsável pela modelação do ritmo, andamento e métrica, controle de movimentos intencionais e globais do corpo.)

EXPERIÊNCIAS PRÁTICAS EM ATIVIDADES DESPORTIVAS

-Karageorghis, (pesquisador da Universidade Brunel-Inglaterra) concluiu que escutar música animada durante atividade física aumenta a resistência física e estimula o praticante a acrescentar mais de 15% de tempo ao seu treino.E o melhor: não percebe.
-O campeão Michael Phelps utiliza sempre seu Ipod antes de iniciar as competições para melhorar sua concentração.
-Alguns atletas mentalizam canções preferidas e que julgam adequadas, parar melhorar a performance.

PARALISADOS CEREBRAIS E A UTILIZAÇÃO DA CAPOEIRA TERAPEUTICAMENTE


A característica principal da paralisia cerebral é a desordem motora, que varia em suas manifestações de acordo com a área encefálica comprometida. Muitos tem movimentos involuntários por ter comprometimento nos gânglios basais do cérebro.
No Brasil, a capoeira é um esporte ou arte marcial que une a luta, música e dança. É um patrimônio cultural afro-brasileiro com infinitas possibilidades motoras. O ritmo na capoeira pode ser vivenciado através dos instrumentos musicais (berimbau, atabaque, pandeiro, agogô, reco-reco), movimentação corporal, palmas e canto. Em centros de reabilitação física a capoeira trabalha com os objetivos de desenvolver noções de equilíbrio, ritmo, coordenação, harmonia de movimentos, flexibilidade, agilidade, força e velocidade. Também estimula a sociabilização, a integração familiar, inclusão social e melhoria da auto-estima (AACD-BRASIL/CEIR-Teresina-Pi-Brasil-Setor de Reabilitação Desportiva)

A MUSICOTERAPIA E O PRATICANTE ESPORTIVO

O profissional capacitado em musicoterapia pode ser um importante aliado no planejamento e nas atividades esportivas. Seus conhecimentos técnicos podem ser utilizados na forma de consultoria, planejamento ou mesmo na aplicação de algumas práticas musicoterapêuticas durante os estressantes e exaustivos treinos diários.

Quer conferir a matéria na íntegra? É só acessar: O praticante