quarta-feira, 19 de agosto de 2015

Paratletas piauienses em destaque nacional almejam patamares ainda mais elevados

Alguns pacientes foram além do tratamento e tornaram-se paratletas
Autor: Valéria Neves
TERESINA - Pela terceira vez consecutiva a delegação brasileira despediu-se dos Jogos Parapan-Americanos liderando o quadro de medalhas. Com 257 medalhas: 109 de ouro, 74 de prata e 74 de bronze, o Brasil deixou Toronto batendo recorde de medalhas. O desempenho mais que satisfatório, que deixou tanto a comissão técnica quanto os atletas com ótimas expectativas para os Jogos Olímpicos no Rio em 2016. É importante lembrar que a liderança aconteceu desde o primeiro dia de competição.
A equipe do Capital Teresina, em um bate papo com Childerico Robson, supervisor de reabilitação desportiva do Centro Integrado de Reabilitação (CEIR), também professor de capoeira, natação e personal trainer, fez algumas perguntas sobre o cenário de paratletas no Piauí. Conversamos também sobre os Jogos Paraolímpicos e sobre como o profissional enxerga a modalidade no país.

Childerico, supervisor de atividades desportivas do CEIR  Foto: Gabriel Torres CT

Com relação ao Parapan, Childerico diz que hoje a maior preocupação do Comitê é com a renovação, a busca por novos atletas. Tanto que, no Parapan de Toronto, houve a participação de atletas de base. É por isso que além do belíssimo trabalho realizado com os atletas de alto rendimento, tem-se feito também um trabalho bem forte na base. Neste cenário, as expectativas para os Jogos Olímpicos 2016, que acontecerão no Rio de Janeiro, são as melhores possíveis. “O Brasil tem total condição de estar entre os cinco melhores e brigar inclusive pelo pódio”, conclui.
Para o preparador, a nível estadual, o que falta é uma organização maior na modalidade, que sejam criadas competições “a confederação está tentando estruturar uma melhora, com um calendário que conte com mais campeonatos”, explica. Falta uma maior divulgação e mais investimento nos atletas e na parte estrutural dos próprios Centros. Além do CEIR, há também outras praças de atividade na capital, como o Serviço Social do Comércio (Sesc) e as Associações de Pais e Amigos dos Excepcionais (APAEs).
Conseguindo essas melhorias o processo de ingressar atletas para a equipe que integra competições nacionais e mundiais se tornará bem mais fácil, já que o Piauí já faz parte desse processo. “O Piauí a nível regional tem excelentes resultados, com medalhas em todas as categorias em que competimos, e isso para atingir um nível internacional é um passo”, reforça Childerico.
É importante lembrar que os projetos de reabilitação tiveram um crescimento muito grande com a vinda da AACD para o estado. "Com os treinamentos que tivemos e que nos capacitaram, foi instituido no centro a reabilitação desportiva - com a prática de várias atividades".

Centro Integrado de Reabilitação Foto: Gabriel Torres CT

Outro problema enfrentado no Piauí é a falta de estrutura fora desses Centros. Muitas academias e clubes não contam com estrutura e nem com profissionais aptos a lidar com nossos paratletas. “Há 15 anos eu comecei a levar pessoas com deficiência física para academias, eu era tido como louco. E me diziam que eu teria que me responsabilizar pelo que eu estava fazendo”, lembra.

Reabilitação Desportiva (CEIR)

“Aqui no CEIR nós temos pacientes que chegam por já terem praticado esporte, temos também os que chegam para conhecer a reabilitação desportiva e aqueles que buscam nesse processo uma melhora para sua atual situação. E essa procura acontece justamente por uma vontade dos pacientes de estarem se exercitando”, relata o profissional. O centro conta com atividades como: natação, hidroginástica, basquete para cadeirantes, futebol para amputados, dança e capoeira.
Alguns pacientes foram além do tratamento e se tornaram paratletas, obtendo destaque em competições locais e nacionais. No Centro o paciente passa a competir não depois do processo de reabilitação, ele começa a competir dentro deste processo.

Parcerias

O CEIR, por não ter muitas modalidades esportivas para a reabilitação dos pacientes, aos poucos está amadurecendo e tentando fazer parcerias para que após saírem do Centro, os paratletas possam continuar inseridos no meio esportivo, e em outras modalidades, como: tiro com arco e flecha e tênis de mesa.
FONTE: http://www.capitalteresina.com.br/noticias